CGD com lucros históricos de 1.904 milhões de euros em 2025
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve lucros de 1.904 milhões de euros em 2025, os maiores de sempre e mais 10% face a 2024, divulgou hoje o banco público em conferência de imprensa em Lisboa.
O presidente executivo, Paulo Macedo, disse que referente ao ano passado serão pagos em dividendos ao Estado 1.250 milhões de euros, o que disse ser provavelmente o dividendo "maior de sempre da banca portuguesa".
Em 2025, a margem financeira (diferença entre juros cobrados nos créditos e juros pagos nos depósitos) caiu 10% para 2.503 milhões de euros, num contexto de redução das taxas de juro, enquanto as comissões aumentaram 1% para 587 milhões de euros.
Os resultados de operações financeiras mais do que duplicaram para 335 milhões de euros, devido sobretudo à venda da participação da CGD ao Estado na empresa Águas de Portugal (ganho de 188 milhões de euros).
Ainda no ano passado, o banco público registou 29 milhões de euros relativos à devolução pelo Estado das contribuições do Adicional de Solidariedade para o Setor Bancário, depois de este imposto ter sido considerado inconstitucional pelo tribunal.
CGD reduz 211 trabalhadores em Portugal em 2025
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu 211 trabalhadores em Portugal em 2025, tendo 5.856 empregados na atividade nacional no final do ano passado, segundo as contas hoje apresentadas.
Quanto à rede, o banco público manteve 512 agências (incluindo gabinetes de empresas).
O banco público há anos que mantém um processo de redução de pessoal, incluindo através de pré-reformas e rescisões por mútuo acordo.
No relatório de apresentação de resultados, a CGD indica que em 2025 houve 373 entradas de novos trabalhadores e estagiários, pelo que a redução de 211 empregados é em termos líquidos.
Mil pedidos de moratórias
Desde 28 de janeiro, a CGD recebeu cerca de mil pedidos de moratórias no valor de quase 100 milhões de euros devido aos efeitos do mau tempo, disse hoje o presidente executivo do banco público, Paulo Macedo.
Além das moratórias, Paulo Macedo disse que o banco recebeu também diversos pedidos de aumento de 'plafonds' de cartões de crédito por parte de clientes, assim como pedidos para reforço das contas correntes destinadas a aliviar a tesouraria das empresas.
O presidente executivo da CGD afirmou que, após os pagamentos das seguradoras e dos apoios do Estado, o banco público irá lançar "um conjunto importante de linhas de crédito de médio e longo prazo para serem utilizadas".
Da parte do Estado, defendeu mais medidas "a fundo perdido", ainda que ressalvando que a decisão vai implicar uma escolha em termos de utilização dos dinheiro públicos.
O gestor admitiu ainda que o prazo de vigência das moratórias, fixado pelo Governo em três meses, poderá ter de ser prolongado.
Paulo Macedo considerou que Portugal deve ter "fundos catastróficos" para lidar com os efeitos das alterações climáticas, uma vez que apenas cerca de metade das habitações afetadas pelo mau tempo na região Centro tinha seguro multirriscos.
No final de janeiro, a CGD aprovou medidas "extraordinárias e de implementação imediata" no valor de 300 milhões de euros para apoiar famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin.
A CGD desenhou várias medidas, abrangendo diferentes tipos de crédito, com 'spread' 0% e isenção de comissões no crédito à habitação para obras e reabilitação.
Garantia pública. Um terço dos jovens recorreu à CGD
Um em cada três jovens que recorreu à garantia pública contraiu o seu crédito à habitação junto da CGD em 2025, disse hoje o presidente executivo, Paulo Macedo.
Até agora, ascende a 1,5 mil milhões de euros o valor do crédito à habitação concedido pelo banco com garantia pública, referente a um total de 7.500 operações contratadas.
Neste segmento, a quota da CGD é de 28,9% do total.
Na garantia pública no crédito à habitação para jovens, cada banco tem uma quota que pode utilizar para atribuir empréstimos parcialmente garantidos pelo Estado, sendo a quota inicial atribuída à CGD de 258 mil milhões de euros.
Em janeiro, o Governo anunciou que aprovou um reforço da garantia pública em 250 milhões de euros para a CGD.
A garantia pública para o crédito à habitação a jovens até 35 anos (inclusive) aplica-se a contratos assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação.